Editorial

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O século XX ficou marcado pela expansão do uso do automóvel. O espaço público, que fora domínio do peão, viu-se transformado para servir a circulação e o parqueamento destas viaturas. Os custos ambientais, sociais e económicos desta transformação revelaram-se tremendos e insustentáveis a prazo.

As emissões de gases poluentes, para além dos evidentes efeitos nocivos na saúde pública, estão comprovadamente na origem das alterações climatéricas e seus fenómenos extremos, sendo a utilização do automóvel responsável por grande parte dessas emissões. A mudança tem de acontecer já. Amanhã é irreversível e será tarde demais.

Nesta edição da Lisboa, mostramos-lhe o empenho da cidade de Lisboa para enfrentar os desafios da sustentabilidade, nomeadamente a revolução em curso na área da mobilidade, que se quer cada vez mais suave, partilhada, livre, eficiente, segura, confortável, económica, saudável e sustentável.

A imagem do casal urbano a utilizar vários transportes, que exibimos na capa ilustrada por André Carrilho, é bem reveladora da mobilidade que se quer em Lisboa. Com menos carros e mais transportes coletivos e partilhados.

Pretende-se que todas as medidas contribuam para devolver o espaço público aos peões e para que cada vez menos cidadãos dependam do carro nas suas deslocações pendulares casa-trabalho-casa.

Além das novas formas de transporte que têm entrado nos últimos anos na cidade e dos incentivos ao uso do carro elétrico, o investimento nos transportes públicos voltou a estar no centro das políticas de mobilidade, com visível eficácia no recém-criado passe único para toda a Área Metropolitana. Em maio deste ano foram vendidos 750 mil títulos de transporte, o que representa um aumento de 31% face ao mesmo mês de 2018. No mesmo período, foram pedidos 60 mil passes Navegante, mais 35 mil do que há um ano.

Uma entrevista à “absolutamente lisboeta” Ana Bacalhau, a reportagem sobre os trabalhadores da CML que cuidam dos animais, a nova Oficina da Guitarra que abriu portas no Museu do Fado e as memórias que aqui recuperamos dos mais longínquos desafios da mobilidade urbana que Lisboa foi ultrapassando, fazem mais uma edição que preparámos a pensar em si. Boas leituras e boas férias!

Filomena Costa
DIRETORA