Urbanismo

pRAÇA De espANhA
Um NoVO pArQue NA CiDADE

A Praça de Espanha, tal como a conhecemos, vai deixar de existir. Um parque urbano com ligação
aos jardins da Gulbenkian trará a Lisboa uma nova centralidade.

Por Paula Cerejeiro

Ao longo de décadas, a Praça de Espanha tem conhecido intervenções urbanas nem sempre felizes. Agora, graças a um projeto de requalificação, que estará concluído em 2020 — ano em que Lisboa é Capital Verde Europeia —, as pessoas vão poder desfrutar de um novo espaço verde no centro da cidade.  

O projeto propõe-se ligar harmoniosamente as várias zonas que envolvem a praça, garantindo a sustentabilidade ecológica de uma área de cerca de 5 hectares.

O amplo jardim relvado vai ter zonas a céu aberto e zonas protegidas da chuva e do sol, uma rede de caminhos e várias esplanadas e equipamentos desportivos. Os espaços envolventes, que até agora o trânsito automóvel separava, ficarão ligados entre si. Do jardim da Gulbenkian, vai ser possível transitar,  por uma ponte pedonal, até ao centro do parque. Daí, será fácil chegar a pé ou de bicicleta à zona de Sete Rios ou ao corredor verde de Monsanto.

 

1 Jardins da Fundação Calouste Gulbenkian; 2 Embaixada de Espanha, Palácio de Palhavã;
3 Escritórios do Montepio Geral; 4 Teatro A Comuna; 5 IPO.


UM ESPAÇO VERDE SUSTENTÁVEL

O riacho do Rego vai voltar à superfície, retomando o seu curso natural em direção ao Vale de Alcântara. Ao mesmo tempo, a existência de uma bacia para onde convergem vários cursos de água vai permitir tirar partido de um solo rico em humidade, para enriquecer a paisagem com plantas autóctones, bem adaptadas às características naturais do lugar e mais fáceis de manter. O parque urbano da Praça de Espanha terá uma dimensão superior à do jardim da Estrela, e serão plantadas mais de 600 novas árvores.

 

CAMINHOS DE ÁGUA

O concurso internacional para requalificação da Praça de Espanha foi lançado em dezembro de 2016. As propostas dos nove finalistas estiveram expostas no final de 2017 na Fundação Calouste Gulbenkian, parceira neste processo desde o início. Durante um mês e meio, foram muitos os que visitaram esta exposição, puderam dar sugestões e participar em debates públicos. A proposta vencedora, “Os caminhos da água”, do ateliê NPK, Arquitectos Paisagistas Associados, foi recentemente divulgada.


Urbanismo

fAzeDorEs De CiDADe

Por Marta Rodrigues

NPK, Arquitectos Paisagistas Associados

Vencedores do concurso internacional para a renovação da Praça de Espanha

 

Porquê o nome “Caminhos da Água”?

Há aproximadamente 80 anos, a carta geológica de Lisboa representava uma ribeira que descia a avenida de Berna, atravessava o hospital do Rego e os terrenos onde hoje existe a Fundação Gulbenkian, correndo depois para Alcântara através da atual Praça de Espanha. A ribeira, já bastante domesticada, foi progressivamente encanada, sobrando hoje quase nada da sua forma natural. A nossa proposta, na área em que intervém, recusa a água escondida nos tubos. Procura dar valor à sua presença, respeitando e tirando partido do movimento da água, seja quando se infiltra, seja quando vem sazonalmente à superfície, recriando o seu caminho.


De que forma este novo parque irá marcar a cidade?

Por um lado, a Praça de Espanha e os quarteirões para norte são espaços que aguardam uma maior consolidação do espaço público e uma maior ligação ao centro da cidade. Esta transformação vai estabelecer novas continuidades pedonais e cicláveis, ao 'recuperar' o percurso da antiga estrada da Palhavã, ligando a Gulbenkian a Sete Rios. Por outro lado, o novo parque vai ampliar os lugares de coexistência, no interior da cidade, entre as pessoas e a natureza, vai tornar mais presentes os sistemas e os elementos que a sustentam,  o ar, a água, o solo e a biodiversidade.


Urbanismo

MeMórias DA
pRAÇa De eSpANhA

Há ainda quem se refira à Praça de Espanha como Palhavã. Esta denominação remonta
ao século XII e prevaleceu até à segunda metade do século passado.

Por Elisabete Brito


Palácio de Palhavã
Construído no século XVII, foi conhecido por alojar os “meninos da Palhavã”, filhos naturais de D. João V. Em 1918, o monumento foi adquirido pelo Estado espanhol. Permanece até hoje um ex-libris do local.


Estradas da Circunvalação e do Rego
Construídas no século XIX, permitiram o desenvolvimento deste “arrabalde”. 


Jardim Zoológico de Lisboa
Instalou-se em 1894 no Parque de Santa Gertrudes, onde hoje se situa a Fundação Calouste Gulbenkian. Aí funcionou até 1903.


Velódromo / Hipódromo
Inaugurado em 1905, no local anteriormente ocupado pelo Jardim Zoológico. Foi um recinto da moda nos últimos tempos da monarquia. Durante cerca de duas décadas, aí tiveram lugar concursos hípicos, registaram-se recordes de ciclismo e viveram-se as primeiras experiências automobilísticas na capital.
 

Avenidas de Berna, António Augusto de Aguiar e Columbano Bordalo Pinheiro
Construídas nas primeiras décadas do século XX, assumiram a praça como local de convergência.
 

Feira Popular de Lisboa
Inaugurada em 1943, no Parque de Santa Gertrudes (atuais terrenos da Gulbenkian), onde permaneceu até 1957.
 

Estação de metro dE Palhavã
Inaugurada em 1959, constituía o principal interface com o terminal rodoviário dos Transportes Sul do Tejo, também instalado no local.
 

Fundação Calouste Gulbenkian
Inaugurada em 1969. Este conjunto arquitetónico e paisagístico recebeu o Prémio Valmor em 1975 e é Monumento Nacional.
 

Avenida dos Combatentes
Um dos principais acessos ao centro da cidade a partir dos concelhos limítrofes a norte. Projetada no início da década de 1970.
 

Teatro Aberto e Teatro da Comuna
Instalaram-se na praça durante a década de 1970. Em 2002, o Teatro Aberto manteve-se na zona, mas mudou de instalações. A Comuna ocupou o “casarão cor-de-rosa” antigo Colégio Alemão e Lar de Mães Solteiras da Misericórdia.
 

Mercado Azul
Conjunto de contentores instalados no enfiamento da avenida Columbano Bordalo Pinheiro, que alojaram vendedores deslocados da praça Martim Moniz. Funcionou entre 1984 e 2015.
 

Arco de São Bento
Proveniente da rua de São Bento, onde foi erigido em 1758. Foi desmontado em 1938 devido à remodelação do Palácio de São Bento. As pedras foram numeradas e depositadas na Praça de Espanha para uma posterior reconstrução, o que só veio a acontecer em 1998. 


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A AlAMeDA Do bEAtO
TaMbÉM Vai MuDAr

Esta zona terá áreas dedicadas em exclusivo aos peões, um parque infantil, mais árvores e passeios, lojas e esplanadas, para proporcionar à população do Beato um espaço central qualificado de encontro e fruição. Haverá ainda o reordenamento do trânsito e do estacionamento. 

O projecto é da autoria do ateliê Orgânica Arquitectura e a obra terá início no segundo semestre de 2019. Esta operação, que abrange cerca de 6 mil metros quadrados, também se enquadra no programa municipal “Uma Praça em cada Bairro” .